Natação e dores no ombro

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A natação é um esporte que exige a utilização dos músculos e articulações e todos as estruturas envolvidas que compõem o movimento do ombro, em uma pesquisa no EUA detectou que 82% dos atletas de elite de natação relatam algum episódio de dor no ombro.

As lesões mais comuns são dores que surgem por esforço repetitivo, normalmente o nadador possui alguma restrição de movimento, ou não possui a estabilidade adequada, isso torna o gesto do nado inadequado ou com sobrecarga em algum ponto específico. As disfunções mais comuns são Tendinites, bursites, rupturas de tendão (Normalmente supra-espinhoso) , lesões de Labrum entre outras.

 

Fases do Tratamento

1)Fase Aguda

Na fase inicial de dor aguda, o atleta pode relatar dificuldade de elevar o braço o manter a posição, a recomendação inicial e a utilização de gelo, o fisioterapeuta poderá escolher a melhor ferramenta para alívio da dor como mobilizações, terapias com Agulha (acupuntura, Dry needling) e recursos como Laser e ultra-som.

 

2) Restaurar Controle Escapular

Os movimento escapulares são a base para gerar movimentos nos membros superiores que seja estáveis principalmente durante o movimento da natação que exige uma rotação e movimento importante de todo o braço.

A alteração deste padrão de movimento pode resultar no impacto na estruturas do Ombro (Impacto Subacromial) gerando dor e sobrecarga nas estruturas como tendões, cápsulas, muscular…

Corrigir padrões de movimentos da escápula para uma melhor eficiência e estabilidade no ombro, será imprescindível para os gestos esportivos da natação que envolvem padrões de elevação de membro superior.

 

 

3) Restaurar função de movimento da coluna cervical e torácica

A principal ligação entre a coluna cervical e o ombro está na inervação, dores referidas na região do ombro, além disso a parte muscular poder ser sobrecarregada gerando tensões musculares na região escapular e ombro.

A coluna torácica é fundamental na movimentação do ombro, principalmente no final do movimento de elevação, uma perda da mobilidade ou seja a movimentação inadequada provoca uma sobrecarga nas estruturas dos ombros. O nado Crawl e borboleta são os que mais necessitam uma mobilidade adequada da coluna torácica.

 

4) Ativação e controle dos estabilizadores do ombro (Manguito rotador)

O manguito rotador são músculos que estão diretamente ligados ao ombro

Os exercícios com faixas elásticas são fundamentais nessa fase, principalmente com diferentes cargas e posições pra trabalhar a estabilidade dessa região.

O gesto esportivo da natação após as fases de reabilitação propostas, devem aprimorar e simular os principais movimentos. A eficiência do gesto depende de vários fatores com mobilidade do ombro e outras estruturas como coluna torácica, cervical; estabilidade e padrão de movimento que não gere compensações e sobrecargas.

Algumas orientações para evitar o desenvolvimento de uma lesão no ombro na natação:

Rotação do corpo
Desenvolver uma boa rotação simétrica do corpo através do desenvolvimento de um padrão de respiração bilateral eficiente é fundamental para evitar lesões no ombro.

Colocação da mão na água

A entrada de polegar na água leva a rotação interna excessiva que, de aproximadamente 3200 golpes por hora, pode eventualmente levar a dor aguda no ombro como uma lesão “de uso excessivo”. Em vez de entrar primeiro com o polegar, altere sua técnica para entrar com uma mão plana, a ponta do dedo primeiro.

Evitar a cruzamento da linha média na frente da braçada (Cross over).

O cruzamento da linha média pode levar a uma sobrecarga na região do ombro, existem vário educativos que podem ser feitos para evitar esse movimento inadequado.

Puxada em baixo da água

Trabalhar para desenvolver um movimento de puxada em baixo da água com um flexão de cotovelo, esse recurso recruta de maneira  mais eficiente os grupos musculares maiores como Peitorais e parte superior das costas.

O tema proposto hoje foram os principais mecanismos de lesões no ombro durante a prática da natação, a importância de avaliar fatores como o movimento da escápula, coluna torácica e cervical e a estabilidade durante o gesto desportivo. Uma mudança da técnica e a comunicação com o treinador é fundamental para evitar as lesões o retorno do atleta após tratamento que será gradual.

 

 

 

 

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